quarta-feira, 11 de julho de 2018

O próprio Cristo (A.B.Simpson)


Gostaria de levar o pensamento de cada um a focalizar-se em Jesus, e somente nEle.
É comum ouvirmos os crentes dizerem: “Ah, como eu gostaria de obter a bênção da cura divina. Mas ainda não a obtive.”
E outros afirmam: “Eu já.”
Mas quando lhes pergunto: “O que obteve?”, não sabem responder.
Alguns dizem: “Recebi a bênção.” “Recebi a cura.” “Recebi a santificação.”
Mas, graças a Deus, o que devemos desejar não é a bênção, nem a cura, nem a santificação, nem outra coisa qualquer, mas Alguém muito superior. Devemos desejar Cristo, o próprio Cristo.

PRECISAMOS DE UMA PESSOA

Encontramos na Palavra a afirmação “Ele mesmo tomou as nossas enfermidades e carregou com as nossas doenças” (Mt. 8:17); “Carregando Ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados” (I Pe. 2:24). É a Pessoa de Jesus Cristo que devemos desejar. Muitos indivíduos têm uma idéia sobre Cristo, mas não passam disso. Têm um conceito na mente, na consciência e na vontade, mas Ele mesmo ainda não faz parte da vida deles. Assim só possuem um símbolo e uma expressão material de uma realidade espiritual.
Certa vez vi uma reprodução da Constituição dos EUA feita sobre uma chapa de cobre. Quando se olhava de perto, via-se apena um texto impresso. Mas quando se afastava um pouco, divisava-se na chapa a efígie de George Washington. Vistas de certa distância, as letras formavam os traços de Washington, e quem olhasse para elas enxergava apenas a pessoa e não as palavras, nem as idéias. Então ocorreu-me um pensamento: “É assim que devemos olhar para a Bíblia, para entender os pensamentos de Deus. Neles vemos o amoroso rosto de Jesus delineando-se em meio às palavras. Ali está o próprio Jesus, que se apresenta como a Vida, a Fonte de Vida, e a presença constante que a sustenta.”
Durante muito tempo orei a Deus pedindo a santificação, e muitas vezes achei que a havia recebido. Houve até uma ocasião em que senti algo diferente, e me agarrei àquela experiência, receoso de a perder. Fiquei acordado a noite toda, temendo que ela me escapasse, e é claro que, assim que a emoção e a sensação momentânea se esvaíram, ela desvaneceu também. Perdi-a, porque não me firmara em Jesus. É que estivera bebendo pequenos goles de um imenso reservatório, quando poderia estar imerso na plenitude de Cristo.
Às vezes, nos cultos, via pessoas dando testemunho sobre o gozo espiritual, e até achava que eu também o experimentara, mas não conseguia conservá-lo. É que minha fonte de alegria não era Jesus. Afinal, um dia, ele me disse com muita mansidão:
“Meu filho, receba-me, e eu próprio serei a fonte constante de tudo isso.”
Então resolvi despreocupar-me da santificação e da bênção em si, e passei a contemplar o próprio Cristo. Assim, em vez de ter uma experiência, entendi que tendo Cristo tinha quem era maior do que uma necessidade do momento, tinha o Cristo que era tudo de que necessitava. E ali O recebi, de uma vez para sempre.
Assim que O vi por esse prisma, experimentei um revigorante descanso. Tudo ficou acertado de uma vez por todas. Nele tinha tudo de que precisava, não apenas para aquele momento, mas para o outro, e o outro, e o outro, e assim por diante. Vez por outra, Deus me deixa entrever como será minha vida daqui a um milhão de anos, quando resplandeceremos “como o sol, no reino de (nosso) Pai (Mt. 13:43) e teremos “toda a plenitude de Deus” (Ef. 3:19).

MEU GRANDE SEGREDO

Se eu afirmasse agora que possuo uma fórmula secreta para se obter riqueza e sucesso, que recebi diretamente do céu, e que, por meu intermédio, Deus daria grandes quantidades dela a quem quisesse, todo mundo ficaria muito interessado. Pois quero mostrar-lhes na Palavra de Deus uma oferta muito mais valiosa que essa suposta fórmula. Inspirado pelo Espírito, o apóstolo Paulo diz que existe um “mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações” (Cl. 1:26). Trata-se de um segredo que o mundo tem procurado, mas não encontra; um segredo que os sábios estão sempre desejando. E o Senhor nos garante que “agora, todavia, se manifestou aos seus santos”. E Paulo viajou pelo Império Romano entregando essa mensagem a quem estivesse apto para recebê-la. Eis o segredo: “Cristo em vós, esperança da glória” (vs. 27).
O grande segredo é: “Cristo em vós”. E eu o passo a você agora, se quiser crer no que Deus diz. Para mim, ele tem sido maravilhoso. Faz alguns anos busquei a Deus, cheio de temores e de sentimentos de culpa. Apliquei esse segredo à minha vida e foi a solução para todas as minhas preocupações e meu fardo de pecados. Mas depois, após algum tempo, vi-me outra vez dominado pelo pecado, e a tentação me parecia forte demais. Busquei a Deus, e de novo Ele me disse: “Cristo em vós”.
Foi assim que obtive a vitória, o descanso, as bênçãos.
Antes era a bênção, agora é o Senhor.
Antes era o que eu sentia; agora é a Palavra.
Antes eu queria os dons; agora o Doador.
Antes queria a cura; agora basta-me o próprio Jesus.
Antes era o esforço penoso; agora, a confiança perfeita.
Antes era uma salvação incompleta; agora é a perfeição.
Antes me segurava nEle; agora Ele me segura firmemente.
Antes estava sempre à deriva; agora minha âncora está firme.
Antes era um planejamento incessante; agora a oração da fé.
Antes era uma preocupação constante; agora Ele cuida de tudo.
Antes era o que eu queria; agora é o que Jesus disser.
Antes era uma petição constante; agora, adoração incessante.
Antes era eu quem trabalhava; agora Ele age por mim.
Antes eu tentava usá-Lo; agora é Ele que me usa.
Antes queria o poder; agora tenho o Todo-Poderoso.
Antes trabalhava por vaidade; agora, tão somente para Ele.
Antes tinha esperança de conhecer Jesus; agora sei que Ele é meu.
Antes minha luz era intermitente; agora brilha intensamente.
Antes esperava a morte; agora anseio por Sua volta.
E minhas esperanças estão firmadas no céu.
(Extraído do livro Jesus Cristo, Ele Mesmo, Editora Betânia, por A. B. Simpson)


Ouça o áudio desse audiobook abaixo:

> O Próprio Cristo (A.B.Simpson)

Conheça também > Nossas Playlists

domingo, 3 de junho de 2018

Precisamos Novamente de Homens de Deus


A igreja, neste momento, precisa de homens, o tipo certo de homens,
homens ousados. Afirma-se que necessitamos de avivamento e de um
novo movimento do Espírito; Deus, sabe que precisamos de ambas as
coisas. Entretanto, Ele não haverá de avivar ratinhos. Não encherá
coelhos com seu Espírito Santo.
A igreja suspira por homens que se consideram sacrificáveis na
batalha da alma, homens que não podem ser amedrontados pelas
ameaças de morte, porque já morreram para as seduções deste
mundo. Tais homens estarão livres das compulsões que controlam os
homens mais fracos. Não serão forçados a fazer as coisas pelo
constrangimento das circunstâncias; sua única compulsão virá do
íntimo e do alto.
Esse tipo de liberdade é necessária, se queremos ter novamente, em
nossos púlpitos, pregadores cheios de poder, ao invés de mascotes.
Esses homens livres servirão a Deus e à humanidade através de
motivações elevadas demais, para serem compreendidas pelo grande
número de religiosos que hoje entram e saem do santuário. Esse
homens jamais tomarão decisões motivados pelo medo, não seguirão
nenhum caminho impulsionados pelo desejo de agradar, não
ministrarão por causa de condições financeiras, jamais realizarão
qualquer ato religioso por simples costume; nem permitirão a si
mesmos serem influenciados pelo amor à publicidade ou pelo desejo
por boa reputação.
Muito do que a igreja faz em nossos dias, ela o faz porque tem medo
de não fazê-lo. Associações de pastores atiram-se em projetos
motivados apenas pelo temor de não se envolverem em tais projetos.
Sempre que o seu reconhecimento motivado pelo medo (do tipo que
observa o que os outros dizem e fazem) os conduz a crer no que o
mundo espera que eles façam, eles o farão na próxima segunda feira
pela manhã, com toda a espécie de zelo ostentoso e demonstração de
piedade. A influência constrangedora da opinião pública é quem
chama esses profetas, não a voz de Jeová.
A verdadeira igreja jamais sondou as expectativas públicas, antes de
se atirar em suas iniciativas. Seus líderes ouviram da parte de Deus e
avançaram totalmente independentes do apoio popular ou da falta
deste apoio. Eles sabiam que era vontade de Deus e o fizeram, e o
povo os seguiu, às vezes em triunfo, porém mais freqüentemente com
insultos e perseguição pública; e a recompensa de tais líderes foi a
satisfação de estarem certos em um mundo errado.
Outra característica do verdadeiro homem de Deus tem sido o amor. O
homem livre, que aprendeu a ouvir a voz de Deus e ousou obedecê-la,
sentiu o mesmo fardo moral que partiu os corações dos profetas do
Antigo Testamento, esmagou a alma de nosso Senhor Jesus Cristo e
arrancou abundantes lágrimas dos apóstolos.
O homem livre jamais foi um tirano religioso, nem procurou exercer
senhorio sobre a herança pertencente a Deus. O medo e a falta de
segurança pessoal têm levado os homens a esmagarem os seus
semelhantes debaixo de seus pés. Esse tipo de homem tinha algum
interesse a proteger, alguma posição a assegurar; portanto, exigiu
submissão de seus seguidores como garantia de sua própria
segurança. Mas o homem livre, jamais; ele nada tem a proteger,
nenhuma ambição a perseguir, nenhum inimigo a temer. Por esse
motivo, ele é alguém completamente descuidado a respeito de seu
prestígio entre os homens. Se o seguirem, muito bem; caso não o
sigam, ele nada perde que seja querido ao seu coração; mas, quer ele
seja aceito, quer seja rejeitado, continuará amando seu povo com
sincera devoção. E somente a morte pode silenciar sua terna
intercessão por eles.
Sim, se o cristianismo evangélico tem de permanecer vivo, precisa
novamente de homens, o tipo certo de homens. Deverá repudiar os
fracotes que não ousam falar o que precisa ser externado; precisa
buscar, em oração e muita humildade, o surgimento de homens feitos
da mesma qualidade dos profetas e dos antigos mártires. Deus ouvirá
os clamores de seu povo, assim como Ele ouviu os clamores de Israel
no Egito. Haverá de enviar libertação, ao enviar libertadores. É assim
que Ele age entre os homens.
E, quando vierem os libertadores, serão homens de Deus, homens
de coragem. Terão Deus ao seu lado, porque serão cuidadosos em permanecer ao lado dEle; serão cooperadores com Cristo e
instrumentos nas mãos do Espírito Santo.

A. W. Tozer


Ouça o áudio desse livro através link abaixo:

> Precisamos Novamente de Homens de Deus

terça-feira, 8 de maio de 2018

A Videira Verdadeira - Capítulo 1 (Andrew Murray)

Prefácio

Tenho me sentido atraído para tentar escrever o que
os jovens Cristãos podem facilmente aprender, como
uma ajuda para eles tomarem aquela posição na qual a
vida Cristã deve ser bem sucedida. É como se não
houvesse nenhuma das principais tentações e falhas da
vida Cristã não encontrada aqui. A proximidade, a totalsuficiência,
a fidelidade do Senhor Jesus, a naturalidade,
a fertilidade de uma vida de fé, são também reveladas,
de forma que alguém pode com segurança dizer:
Permita a parábola entrar no coração, e tudo dará certo.
Possa o bendito Senhor conceder Sua benção. Possa
Ele nos ensinar a estudar o mistério da Videira no
espírito de adoração, esperando pelo ensinamento do
próprio Deus.

Andrew Murray




Capítulo 1

A VIDEIRA

"Eu sou a videira verdadeira” (João 15:1).

Todas coisas terrestres são sombras das realidades
celestiais - a expressão, em formas criadas e visíveis, da
glória invisível de Deus. A Vida e a Verdade estão no
Céu; na terra temos figuras e sombras das verdades
celestiais. Quando Jesus disse: "Eu sou a videira
verdadeira”, Ele nos ensina que todas as videiras da
terra são figuras e emblemas dEle. Ele é a realidade
divina, da qual elas são expressões criadas. Todas elas
apontam para Ele, pregam-NO, revelam-NO. Se você
quiser conhecer Jesus, estude a videira. Quantos olhos
têm observado e admirado uma grande videira com
seu belo fruto! Venha e observe na Videira celestial até
que seus olhos se voltem de tudo mais para admirá-LO.
Quantos, em um clima ensolarado, sentam e
descansam sob a sombra de uma videira. Venha e
permaneça sob a sombra da Videira verdadeira, e
descanse nela do calor do dia. Que regozijo incalculável
no fruto da videira! Venha, e tome, e coma do fruto
celestial da Videira verdadeira, e deixe sua alma dizer:
"Sentei-me sob Sua sombra com grande deleite, e Seu
fruto era doce ao meu paladar.
"Eu sou a videira verdadeira” - Este é um mistério
celestial. A videira terrestre pode ensinar-te muito
sobre esta Videira do Céu. Muitos pontos interessantes
e belos de comparação sugerem-se, e nos ajudam a
adquirir concepções do que Cristo significa. Mas tais
pensamentos não nos ensinam a conhecer o que a
Videira celestial realmente é, em sua sombra
refrescante, e em seu fruto doador de vida. A
experiência disto é parte do mistério oculto, que
ninguém senão o próprio Jesus, pelo Seu Espírito Santo,
pode desvelar e transmitir. Eu sou a Videira verdadeira
- A videira é o Senhor vivo, que fala, e dá, e obra tudo
que Ele tem para nós. Se você quer conhecer o
significado e o poder desta palavra, não pense
encontrá-la pelo pensamento ou estudo; estes podem
ajudar-te para mostrar o que deves receber dEle para
despertar desejo e esperança e oração, mas eles não
podem te mostrar a Videira. Somente Jesus pode
revelar a Si mesmo. Ele dá Seu Espírito Santo para abrir
os olhos para vê-LO, e para abrir o coração para
recebê-LO. Ele mesmo deve falar a palavra para você e
para mim.
"Eu sou a videira verdadeira” - E o que devo fazer, se
quiser o mistério, em toda sua beleza e benção
celestiais, aberto para mim? Com o que você já sabe da
parábola, curve-se e fique quieto, adore e espere, até
que a Palavra divina entre em seu coração, e você sinta
Sua santa presença com você, e em você. A sombra de
Seu santo amor dar-lhe-á a perfeita calma e descanso
de saber que a Videira fará tudo. Eu sou a Videira
verdadeira - Aquele que fala é Deus, em Seu infinito
poder capaz de entrar em nós. Ele é homem, um
conosco. Ele é o crucificado, que conseguiu uma
perfeita justiça e uma vida divina para nós através de
Sua morte. Ele é o glorificado, que do trono dá Seu
Espírito para fazer Sua presença real e verdadeira. Ele
fala - oh, prestem atenção, não somente às Suas
palavras, mas a Ele mesmo, como Ele sussurra
secretamente dia a dia: "Eu sou a Videira verdadeira!"
Tudo que a Videira pode ser para seu ramo, "Eu serei
para ti". Santo Senhor Jesus, a Videira celestial da
própria plantação de Deus, eu Te suplico, revela a Ti
mesmo para minha alma. Permita que o Espírito Santo,
não somente em pensamento, mas em experiência,
faça-me saber totalmente que Tu, oh Filho de Deus, és
para mim a Videira verdadeira.


Assista abaixo ao vídeo correspondente a esse arquivo

> Audiolivro Cristão A Videira Verdadeira Capítulo 1


A Videira Verdadeira - Capítulo 2 (Andrew Murray)


Capítulo II

O LAVRADOR

"E meu Pai é o Lavrador (João 15:1).

Uma videira deve ter um lavrador para plantá-la e
protegê-la, para receber seu fruto e regozijar nele.
Jesus diz: "Meu Pai é o Lavrador. Ele foi "a videira da
plantação de Deus". Tudo que Ele foi e fez, devia ao Pai;
em tudo Ele procurou somente a vontade e a glória do
Pai.
Ele se tornou homem para nos mostrar o que uma
criatura deve ser para seu Criador. Ele tomou nosso
lugar, e o espírito de Sua vida diante do Pai foi sempre
o que Ele procurou que seja nosso também: "dEle, e
por Ele, e para Ele, são todas as coisas". Ele tornou-se a
Videira verdadeira, para que pudéssemos ser
verdadeiros ramos. Tanto com respeito à Cristo como à
nós mesmos, as palavras nos ensinam duas lições de
absoluta dependência e perfeita confidência.
Meu Pai é o Lavrador - Cristo sempre viveu naquele
espírito, em que certa vez disse: "O Filho de si mesmo
nada pode fazer". Tão dependente quanto uma videira
é do lavrador pelo lugar onde deva crescer, pelo seu
cercado, irrigação e poda; assim, também se sentia
Cristo inteira e diariamente dependente do Pai na
sabedoria e força para fazer a vontade do Pai. Assim
como Ele disse no capítulo anterior (14:10): "As palavras
que eu vos digo, não as digo por mim mesmo; mas o
Pai, que permanece em mim, é quem faz as suas obras".
Esta absoluta dependência teve como sua bendita
contraparte a mais abençoada confidência que Ele não
teria nada para temer: o Pai não podia desapontá-LO.
Com tal Lavrador como Pai, Ele poderia enfrentar a
morte e o túmulo. Ele poderia confiar em Deus para
ressuscitá-LO. Tudo que Cristo é e tem, Ele tem, não
em Si mesmo, mas a partir do Pai.
Meu Pai é o Lavrador - Esta é uma bendita verdade
tanto para nós como para Cristo. Cristo está ensinando
Seus discípulos sobre serem ramos. Ele nunca tinha
usado antes a palavra, ou falado de alguma maneira
sobre permanecer nEle ou produzir frutos; Ele voltou os
olhos deles para o céu, para o Pai que lhes estava
observando e tudo trabalhando neles. Na própria raiz
de toda vida Cristã descansa o pensamento de que
Deus está fazendo tudo, que nossa parte é dar e
entregarmo-nos às Suas mãos, em confissão de
absoluto desamparo e dependência, com uma firme
confidência de que Ele dá tudo que necessitamos. A
grande carência da vida Cristã é que, até quanto
confiamos em Cristo , deixamos Deus fora de
consideração. Cristo veio para nos trazer à Deus. Cristo
viveu a vida de um homem exatamente como temos
que vivê-la. Cristo, a Videira, aponta para Deus, o
Lavrador. Como Ele confiou em Deus, confiemos nós
em Deus, e tudo que devemos e temos que ser, como
aqueles que pertencem à Videira, nos será dado de
cima. Isaías disse: "Naquele dia haverá uma vinha de
vinho tinto; cantai-lhe. Eu, o Senhor, a guardo, e a cada
momento a regarei; para que ninguém lhe faça dano,
de noite e de dia a guardarei". Antes de começarmos a
pensar sobre os frutos ou ramos, tenhamos nossos
corações cheios de fé: como a Videira é gloriosa, assim
também é o Lavrador. Como é digna e santa nossa
chamada, assim também é poderoso e amável o Deus
que obrará tudo isto. Tão certamente como o Lavrador
fez da Videira o que ela deveria ser, assim Ele também
fará de cada ramos o que ele deve ser. Nosso Pai é o
nosso Lavrador, e a Garantia de nosso crescimento e
frutificação.
Bendito Pai, nós somos Tua lavoura. Oh, que Tu possas
ter honra das obras de Tuas mãos! Oh meu Pai, eu
desejo abrir meu coração para a alegria desta
maravilhosa verdade: Meu Pai é o Lavrador. Ensina-me
a conhecer e confiar em Ti, e a ver que o mesmo
profundo interesse com que Tu cuidas da Videira e Se
deleita nela, estende-se a cada ramo, a mim também.




Assista abaixo ao vídeo correspondente a esse arquivo


> Audiolivro Cristão A Videira Verdadeira Capítulo 2


A Videira Verdadeira - Capítulo 3 (Andrew Murray)


Capítulo III

A VARA

"Toda a vara em mim, que não dá fruto, [Ele] a tira
(João 15:2).

Aqui temos uma das principais palavras da parábola -
vara. Uma videira necessita de varas: sem varas ela não
pode fazer nada, não pode produzir nenhum fruto. Tão
importante como é saber sobre a Videira e o Lavrador,
é entender o que a vara é. Antes de aprendermos o
que Cristo tem para dizer sobre Ele, vamos
primeiramente captar o que uma vara é e o que nos é
ensinado de nossa vida em Cristo. Uma vara é
simplesmente um pedaço de madeira, nascida pela
videira para um único propósito de servi-lá produzindo
seus frutos. Ela é da mesma natureza da videira, e tem
uma vida e um espírto com ela. Pense um momento
sobre as lições que isto sugere. Há uma lição de inteira
consagração. A vara tem somente um objetivo pelo
qual ela existe, um propósito para o qual ela é
totalmente determinada. Isto é, produzir o fruto que a
videira deseja que seja produzido. E assim, o crente
tem somente uma razão para ser uma vara - apenas
uma razão de sua existência na terra - que a Videira
celestial possa através dele produzir Seu fruto. Feliz a
alma que sabe isto, que nisto consente e que diz: Eu fui
redimido e vivo por uma coisa - tão exclusivamente
como a vara natural existe somente para produzir fruto,
eu também; tão exclusivamente como a Videira celestial
existe para produzir fruto, eu também. Visto que tenho
sido plantado por Deus em Cristo, eu me entrego
completamente à produzir o fruto que a Videira deseja
que seja produzido.
Há a lição de perfeita conformidade. A vara é
exatamente como a videira em todos aspectos - a
mesma natureza, a mesma vida, o mesmo lugar, o
mesmo trabalho. Em tudo isto elas são
inseparavelmente uma. E assim o crente necessita saber
que ele é participante da natureza divina, e tem a
mesma natureza e espírito de Cristo nele, e que sua
única chamada é render-se à uma perfeita
conformidade com Cristo. A vara é uma perfeita
semelhança da videira; a única diferença é: uma é
grande e forte e a origem da força; a outra pequena e
fraca, sempre necessitando e recebendo força. Da
mesma forma o crente é e é para ser, a perfeita
semelhança de Cristo.
Há a lição de absoluta dependência. A videira tem seu
depósito de vida e vigor e força, não para si mesma,
mas para as varas. As varas não têm nada, exceto o que
a videira providencia e nelas implanta. O crente é
chamado para, e esta é sua mais alta bem-aventurança,
uma vida de inteira e incessante dependência de Cristo.
Dia e noite, cada momento, Cristo está para operar
neles tudo que eles necessitam. E então, a lição de
indubitável confidência. A vara não tem
restabelecimento próprio; a videira providencia tudo;
ela tem porém que se render e receber. É a percepção
desta verdade que conduz ao bendito descanso da fé,
o verdadeiro segredo do crescimento e do
fortalecimento: "Eu posso todas as coisas através de
Cristo que me fortalece".
Que vida nos advirá se tão somente consentirmos
sermos varas! Queridos filhos de Deus, aprendam a
lição. Vocês têm apenas uma coisa a fazer: Somente ser
uma vara - nada mais, nada menos! Simplesmente uma
vara; Cristo será a Videira que dá tudo. E o Lavrador, o
poderoso Deus, que fez da Videira o que ela é,
certamente fará da vara o que ela deve ser. Senhor
Jesus, eu oro a Ti, revela-me o mistério celestial da vara,
na sua viva união com a Videira, em sua súplica por
plenitude completa. E que Tua omni-suficiência,
sustentando e enchendo Tuas varas, conduza-me ao
descanso da fé que sabe que Tu operas tudo.




Assista abaixo ao vídeo correspondente a esse arquivo